Jorge nasceu no Século III, na Capadócia (território que hoje pertence à Turquia). Nasceu em família nobre. Seu pai morreu em batalha e ele se alistou no exército romano.

Os romanos, naquela época, perseguiam e martirizavam cristãos. Jorge, em total desacordo com as atitudes de seus então companheiros, começou a expor sua verdadeira fé: distribuiu suas posses, abandonou as vestes militares e passou a viver entre os cristãos, clamando contra os deuses pagãos dos romanos e chamando-os de demônios.

O governo romano soube de tal rebeldia e questionou quem ousara contrariá-lo. Jorge, então, apresentou-se e disse que abandonou tudo o que tinha para servir livremente ao Deus do Céu.

Assim, Jorge foi violentamente torturado por sua desobediência, mas suportou a ira de seus torturadores com bravura, apoiado pela fé que com ele caminhava. Na noite seguinte à sessão de sofrimento, o Senhor Deus, que tanto era adorado pelo homem da Capadócia, milagrosamente apareceu para ele, envolto em uma grande luz, e o confortou, gratificando-o pela coragem de manter sua crença perante tanto martírio.

Jorge, fortalecido e renovado pela visita divina daquele a quem servia, parecia então mais resistente do que antes. Mas os romanos não desistiram do desejo de vê-lo sucumbir…  Um mago foi chamado para matá-lo, e tentou cumprir sua missão com uma taça de vinho envenenada.

O homem da Capadócia, se vendo obrigado a tomar aquele vinho, concentrou-se, fez o sinal da Cruz, e bebeu. Inesperadamente, nada aconteceu. O mago, mesmo surpreso, não desistiu e preparou uma segunda taça de vinho, com ainda mais veneno. Jorge repetiu o gesto anterior, e bebeu. De novo, nada aconteceu. Perplexo, o mago se ajoelhou perante Jorge e implorou para ser convertido ao Cristianismo… Porém, os romanos não tiveram dó do mago, que falhou em sua missão, e o decapitaram.

Ainda tomados pela ira, os romanos não se cansariam até verem Jorge totalmente vencido, e o colocaram à prova em outra série de torturas, uma mais cruel que a outra… Protegido pelo sinal da Cruz, Jorge resistiu a todas, chegando, inacreditavelmente, a quebrar as lâminas que seus algozes haviam destinado para matá-lo.

Daciano, o governador romano, incrédulo e não vendo outra solução, pediu docilmente a Jorge que abandonasse a crença cristã e se voltasse aos deuses pagãos. O guerreiro aceitou a oferta de Daciano… mas na verdade, estava enganando aquele que o fez sofrer.

Em uma festa no templo romano, todos pensavam que Jorge ia fazer sacrifícios aos deuses pagãos. Mas o guerreiro, contrariando as expectativas, se ajoelhou e pediu a Deus que destruísse aquele lugar. Foi quando o fogo dos céus atendeu ao pedido do rapaz, causando pandemônio e juntando-se à terra, que tragou os símbolos do paganismo romano.

Jorge então foi condenado à decapitação por sua traição. Vendo-se próximo de seu fim, o bravo cristão fez um último pedido a Deus: que todos aqueles que pedissem por sua intervenção fossem atendidos… E recebeu uma resposta positiva. Então, Jorge pereceu sob a pena a que foi condenado.

Logo em seguida, Daciano e seus soldados também encontraram a morte, punidos pela força divina através do fogo dos céus.

Até hoje, em cumprimento ao que o guerreiro da Capadócia pediu a Deus antes de seu último suspiro, todos os que têm fé e pedem a intervenção de São Jorge em suas vidas são amparados e acolhidos.

O dia de São Jorge é celebrado em 23 de abril porque, supostamente, essa é a data da morte do guerreiro. Para nós, São Jorge é invocado contra as tentações, os feitiços e as intervenções do Mal, que é representado pelo dragão. Mas, mais do que isso, o santo é uma das mais conhecidas representações da fé e da coragem.

Da mesma forma que sua armadura nos protege contra os males a que estamos sujeitos, sua lança simboliza a coragem que devemos ter para vencer os obstáculos que surgem em nosso caminho durante nossa vida.

Salve, Jorge. Rogai por nós, Santo Guerreiro.

 

Texto de autoria de Piero Paglarin