Setembro chegou. Com ele, mais um importante período para a IEED se inicia: o Mês Santifical, no qual se comemora o aniversário da Reverendíssima Maly Hilda, o Missionário.

Assim, como celebração, em todas as terças-feiras do mês, antes do início das reuniões, uma germinativa é escolhida para falar sobre Reverendíssima.

No dia 04/09, a primeira terça-feira de setembro deste ano, a Sacerdotisa Aparecida Paglarin abriu as palestras do mês comemorativo. Apresentada a todas pela presidente da IEED-SP, a Revda. Maria Estela Abade, a sacerdotisa deu início à sua fala agradecendo a oportunidade de falar sobre Hilda Roxo. “Sempre vou falar dela com amor, admiração e total reconhecimento por seus feitos”, disse Aparecida.

Segundo a sacerdotisa, sua admiração pelo Missionário começou quando ela ainda era membro da Assistência e, numa cerimônia no Terreiro de Iemanjá (Jd. Colibri), ouviu uma mensagem dita originalmente por Maly Hilda. “Sua voz transcendental ecoou fundo em minha alma. A partir daí, eu quis conhecer mais e mais a respeito do Missionário. (…) Para mim, sempre vinha a pergunta: ‘como uma pessoa pôde conseguir tantos feitos?’”, justificou Aparecida.

A sacerdotisa ainda enfatizou que tudo o que o Missionário fez, doava em benefício da IEED, e que se estivesse viva, Hilda Roxo completaria 108 anos no dia 03/09, um dia antes daquele. Então, trazendo ao público algo sobre o qual muitos ainda não tinham conhecimento, Aparecida comentou que iria ler uma matéria escrita pela Sacerdotisa Mayu Mazina Machado no jornal Filhos do Sol em 1955, que discorria sobre o nascimento de Maly Hilda. “A matéria trata da chegada do nosso Missionário, no dia 3 de setembro de 1910, à terra. Que possamos todo dia 3 de setembro nos reunir com nossa família e comemorar a chegada do Missionário”, complementou a palestrante, antes de dar início à leitura.

E a matéria, brilhantemente, narra:

O dia foi nascendo alegre e toda a natureza em festa anunciava o grandioso 3 de setembro. 

Era um novo Natal que raiava na Terra pois um novo Missionário acabava de nascer.

Inconsciente da grande missão que o Espaço lhe reservava, o anjinho, doce e lindo como um sonho, repousava, olhinhos fechados, no colo de sua Vovó Preta, na grande sala ancestral de janela de vidros coloridos.

O resto da casa da fazenda ainda estava mergulhada no sono, depois das preocupações e reboliços que sempre causam um parto. 

Mas a Vovó não descansava e velava pelo sono da jovem mãe enquanto tinha nos braços aquela flor humana. Olhava maravilhada para aquele milagre de carne e sentia que ia amá-lo muito mais que aos outros netos, e de um amor diferente. Era algo que ia buscar raízes muito longe, lá no Astral.

Que haveria nesta criança que emanava tão mágico poder?

Seria a beleza?

Realmente era uma criança linda e perfeita, tinha como cabelo uma penugem preta, brilhante e sedosa; o narizinho era um primor; os olhinhos ainda fechados eram dois traços levemente oblíquos como se fossem feitos a pincel e a boquinha um botão de rosa.

Mas… em sua trajetória pela vida ela já vira outras crianças tão lindas sem que dela se apossasse uma emoção tão sagrada…

Levantou-se então docemente, com o fardo ao colo e abriu um dos batentes da janela.

Olhou o Céu e prescrutou o Infinito…

Com a luz já enfraquecida, a Estrela D’Alvorada lutava ainda com o dia que vinha raiando…

E foi dela que a resposta lhe veio. Soube então que o dia de cumprir uma missão havia chegado… Sim , porque ela também agora estava na Terra só para proteger e acolher o Missionário que já há muito lhe havia sido anunciado…

Num transporte de alegria, rende Hosanas ao Espaço… mas… ao erguer os braços, ela cai em si.

Não era possível!… Aquele pedacinho de carne frágil e tenro, como poderia lutar e resistir às forças adversas?

Tomada então de piedade, abraçou o corpinho indefeso como a querer protegê-lo com seus próprios braços de todas as adversidades que temia ser seu quinhão na Terra, e abundantes lágrimas rolaram sobre a pequenina, que, sentindo aquele orvalhar morno, entreabriu as pálpebras. E foi assim que seus lindos olhinhos viram a luz do sol pela primeira vez através de lágrimas.

Sac. Mayu Mazina Machado; jornal Filhos do Sol, edição de setembro-novembro de 1955