28/08 foi a última terça-feira do Mês do Médium deste ano. Como aconteceu nas outras terças-feiras do mês, um membro da Auréola falou ao público presente, antes do início da Reunião do dia, sobre suas percepções em relação à Mediunidade.

A Sacerdotisa Nanci Abade foi quem apresentou a todos sua fala. E que fala! Atriz de profissão, Nanci aliou seus conhecimentos sobre o tema da palestra com seu talento artístico e fez uma adaptação poética e criativa do texto de “Grande Sertão: Veredas”, do escritor mineiro Guimarães Rosa. Veja o texto que a sacerdotisa, emocionada, recitou:

Aquele lugar, o ar!

Primeiro  fiquei  sabendo  que amava de amor mesmo,
mal encoberto de amizade
 foi de repente que aquilo (isso) iluminou-se
Falei comigo
Não  tive assombro
Não achei  ruim
Não  me reprovei na hora, melhor ir além.

O nome Mediunidade que eu tinha  falado permaneceu em mim, me abracei  a ela e virou amor.
Como  eu poderia falar o que é?
E como o amor desponta?
Coração cresce de todo lado feito riacho colonizando  por entre serras e vargens , matas ,  pedra , mar, montanha…
Coração mistura tudo em amor.
Tudo cabe
E eu, eu como posso explicar pra senhora, pro senhor, o poder de amor que  eu  fui criando?
Minha vida que  o diga.
A Mediunidade  tomou conta de mim
De repente eu estava estudando e gostando dela em um discomum,
gostando ainda mais que antes
E quando finquei  os pés,
meu coração  dela gostou o tempo todo
E eu gostando de amor, AMEI
E daí então  acreditei.

Tudo tem seu mistério, eu não sabia, mas com minha mente eu abraçava aquilo que não parecia ser de verdade
mas era
Então  o que era só nome e religião virou sentimento  meu.
E foi me transformando
E me fazia crescer  de um modo  que chegou a doer.
Ahhh 
Aquele dia, aquela hora, se eu pudesse morrer, não me importaria.
Eu diria ao senhor, à senhora
Que no entanto é sabido, sempre que se começa a ter amor por algo, o amor pega a crescer
É  porque de certo jeito a gente quer que isso seja.
E vai na ideia, querendo e ajudando
mas quando é destino maior que o mundo, a gente
Ama
Inteiriço,
fatal, carecendo do querer amar.
Desse crescer, primeiro brota
e depois tudo turbulento, esperamos o que vem dele.
De um acesso dentro de mim eu sabia
que cabia  a mim a minha opinião 
Que é
que no fim de tanta exaltação, meu amor renovou 
de empapar todas as folhagens
e eu peguei em meus braços as muitas faces da mediunidade, com as asas de todos os pássaros.
E descobri
Mediunidade é a gente querendo achar o que é da gente.

Nanci Abade

Hosanas à força da Mediunidade.